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Cuidados

Tártaro em cachorro e gato: quando precisa de limpeza e por que exige anestesia

Por Dra. Kathy Alves, CRMV-SP 45494Publicado em

O tártaro é a parte visível de um problema maior: a doença periodontal, que a AAHA descreve como presente, em algum grau, na maioria dos cães e gatos já aos 3 anos de idade — e que costuma passar despercebida pelo tutor. A limpeza profissional é feita sob anestesia geral, e o American Veterinary Dental College considera inadequada a raspagem no animal acordado: sem anestesia não se alcança a região abaixo da gengiva, que é justamente onde a doença acontece. A Dra. Kathy Alves não faz profilaxia dentária — o atendimento dela é exclusivamente domiciliar. Ela avalia a boca na consulta, explica o que encontrou e encaminha.

Abaixo estão o que o tártaro é, os sinais que o tutor vê em casa, por que a limpeza exige anestesia, o que a "limpeza sem anestesia" não faz, o que dá para fazer em casa e como é o encaminhamento.

O que é o tártaro, e por que ele importa?

Tudo começa com a placa, uma película de bactérias que se forma sobre o dente em horas. Quando ela não é removida, mineraliza e vira tártaro, aquela crosta amarelada ou marrom que você vê. O tártaro em si é áspero e acumula mais placa, mas o problema não é o que está acima da gengiva: é o que avança abaixo dela.

Ali embaixo, a inflamação solta o dente do osso, abre bolsas e dói. A AAHA registra que a doença periodontal pode causar dor oral, infecção e inflamação, e diminuir a qualidade de vida do animal — e que ela costuma passar despercebida justamente porque o pet continua comendo.

Quais sinais aparecem em casa?

O que você vêO que costuma significar
Mau hálito que não passaÉ o sinal mais precoce e o mais ignorado
Crosta amarelada ou marrom na base do denteTártaro acumulado
Gengiva vermelha na borda do dente, ou que sangraInflamação ativa
Come de lado, derruba a comida, mastiga devagarDor na boca
Dente mole, quebrado ou escurecidoJá há perda de sustentação
Baba mais que o normal, às vezes com sangueInflamação avançada
Para de brincar com mordedor, afasta o rosto quando tocadoDor que o animal não demonstra de outro jeito

Cachorro e gato quase nunca param de comer por causa de dor na boca. Eles mudam o jeito de comer. Por isso o tutor costuma descobrir tarde, e por isso vale olhar a boca com alguma regularidade.

Por que a limpeza precisa de anestesia?

Porque o trabalho que resolve está abaixo da linha da gengiva, e isso não se faz num animal acordado. A posição do American Veterinary Dental College é explícita, e vale conhecer os motivos:

  • Não se alcança o que importa. A doença periodontal acontece na bolsa abaixo da gengiva, e essa região não é tratável sem anestesia.
  • Não dá para examinar a boca inteira. O exame completo, dente por dente, faz parte do procedimento e exige o animal imóvel.
  • Risco de machucar. A raspagem usa aparelho ultrassônico e instrumento de ponta afiada; um movimento de cabeça fere o animal e expõe quem segura a mordida.
  • Dor e via aérea. A anestesia controla a dor e protege a via aérea da aspiração de água e de fragmentos.
  • Radiografia. Boa parte do que decide o tratamento está na raiz, que só aparece em imagem — impossível com o animal acordado.

A AAHA observa que o medo da anestesia é a razão mais citada pelos tutores para não fazer o procedimento. É um medo compreensível, e a resposta a ele não é pular a anestesia: é a avaliação antes, com exame físico e exames de sangue, para que o risco seja conhecido e manejado.

E a "limpeza sem anestesia" que se vê por aí?

O AVDC prefere outro nome para ela: raspagem dentária não profissional. O que esse serviço faz é tirar o tártaro visível, o que deixa o dente mais branco — e deixa o tutor tranquilo. O que não faz é tratar a doença, que continua embaixo da gengiva, agora escondida por um dente de aparência limpa.

Há ainda a parte legal: serviço odontológico veterinário é ato de médico-veterinário. Se você está decidindo, a pergunta a fazer a quem oferece é simples: quem é o médico-veterinário responsável, e o que exatamente é feito abaixo da linha da gengiva?

O que dá para fazer em casa?

A AAHA é direta ao listar o cuidado doméstico como prioridade: escovação diária, petiscos e produtos aprovados e aditivos de água — e orienta usar produtos com o selo do VOHC, o conselho que avalia a eficácia desses itens.

Algumas coisas que ajudam na prática:

  • Comece devagar, com o dedo e um pouco de pasta própria para pet, antes de tentar a escova.
  • Pasta de dente humana não serve: tem componentes que o animal não deve engolir.
  • Osso duro, chifre e pedra quebram dente. Dente fraturado é causa comum de dor e de extração.
  • Escovação depois da limpeza profissional é o que faz o resultado durar. Sem ela, a placa volta em dias.
  • Gato também escova. É mais trabalhoso e começa mais cedo, com paciência.

Como funciona o encaminhamento?

A Dra. Kathy avalia a boca do seu pet na consulta em casa, diz o que encontrou e qual é a urgência, e encaminha para uma clínica ou colega que faça a profilaxia dentária — porque o procedimento exige centro cirúrgico, anestesia e radiografia, e o atendimento dela é só domiciliar.

O que ela faz em casa, antes e depois:

  • examina a boca e mostra a você o que está vendo;
  • colhe o sangue que a avaliação antes da anestesia pede, e explica o resultado;
  • encaminha, com a orientação por escrito;
  • ensina a escovação e acompanha a rotina que mantém o resultado.

Resumo

PerguntaResposta curta
Tártaro é só estética?Não. O problema está abaixo da gengiva, onde dói e solta o dente.
Quando a doença começa?A maioria dos cães e gatos já tem algum grau aos 3 anos.
Qual o primeiro sinal?Mau hálito que não passa.
Por que precisa de anestesia?Sem ela não se trata abaixo da gengiva nem se examina a boca inteira.
Limpeza sem anestesia resolve?Não. Tira o tártaro visível e deixa a doença onde está.
O que fazer em casa?Escovação diária e produtos com selo do VOHC.
A Dra. Kathy faz a limpeza?Não. Ela avalia a boca, orienta e encaminha.

Quer que a boca do seu pet seja avaliada em casa?

A Dra. Kathy Alves, médica-veterinária (CRMV-SP 45494), atende no seu endereço, em São Paulo e na Grande SP: examina a boca do seu cão ou gato, mostra o que encontrou, ensina a escovação, colhe exames em casa e encaminha para quem faz a profilaxia dentária, com a orientação por escrito. Chame no WhatsApp e conte o que você notou. Veja também como é o dia da visita e o check-up do cachorro idoso.

Fontes

  • AAHA, 2019 AAHA Dental Care Guidelines for Dogs and Cats (a maioria dos cães e gatos tem algum grau de doença periodontal aos 3 anos, e ela costuma passar despercebida; dor, infecção e inflamação; o medo da anestesia como razão mais citada para não fazer o procedimento; prevenção por exame regular e cuidado em casa): aaha.org.
  • AAHA, Your Senior Pet From Head to Toe (escovação diária, produtos aprovados e o selo do VOHC): aaha.org.
  • American Veterinary Dental College, Companion Animal Dental Scaling Without Anesthesia (a raspagem no animal acordado é inadequada; não se alcança abaixo da gengiva; risco de ferimento; exame completo e proteção da via aérea exigem anestesia; o nome preferido é raspagem dentária não profissional): avdc.org (PDF).
Dra. Kathy Alves

Médica-veterinária (CRMV-SP 45494) que atende cães e gatos exclusivamente a domicílio, em São Paulo e na Grande SP. Conheça a Dra. Kathy.

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